Há algum tempo, havia um único telefone em cada casa. Havia uma única televisão e um único computador. E se você atentar para os apartamentos mais antigos, encontrará vários apartamentos de até 4 quartos com uma vaga de garagem. É, era comum ter apenas um carro em cada casa.
Hoje tudo está diferente e – infelizmente – o individualismo está em alta.
Cada pessoa tem o seu telefone pessoal. Uma televisão em cada quarto. Cada um tem o seu computador. E não é difícil encontrar um apartamento onde vivem 4 pessoas, com 4 carros.
Você pode ter lido as linhas acima e pensado em progresso.
Eu não. Eu penso em perda do coletivo. Em falta de contato humano.
Antes você ligava para um amigo e o pai dele atendia. Você conversava (ainda que pouco) com o pai dele. Havia uma forma de contato cordial, por mais breve que fosse.
A mesma coisa para assistir tv. Todos compartilhavam alguns momentos juntos e alguns assuntos, nem que fossem na ‘hora do intervalo’.
Havia uma espécie de combinação / negociação para uso do computador e do carro, que acabava por ensinar (indiretamente) o real significado de uma palavra muito importante: ‘conviver’.
Conviver é um verbo que está a caminho da extinção.
Essa valorização exagerada do individualismo (repare que estou falando de individualismo e não de individualidade, coisas muito diferentes!) está deixando todos nós mais solitários.
E o pior é que além de tristes, essa solidão imposta nos torna ‘menos’.
Perdemos força. Perdemos alegria.
Perdemos, acima de tudo, a contribuição transformativa fundamental que uma pessoa que nos ama pode dar.
Que pena…
