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A medida incerta

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Quem tem controle sobre a paixão que sente, não sente paixão. Sente algo parecido com a paixão.

Porque paixão só existe sem medida. Aquela coisa insana, que ocupa a sua cabeça o dia todo, até nos momentos em que você deveria estar pensando em outra coisa.

Paixão nos rouba o tempo, é verdade, mas em contrapartida, nos dá disposição e um constante sorriso no rosto.

Porque quando estamos apaixonados é quando mais acreditamos que podemos tudo. Que tudo pode se tornar realidade.

É quando você tem convicção que um mais um é sempre mais que dois.

Não é assim?

O caminho e o jeito de caminhar

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Tem gente que se acostuma com o caminho. Mas se acostuma tanto que quando quer mudar o rumo das coisas, ao invés de mudar o caminho, muda o jeito de caminhar.

Claro que não vai dar em nada!

É como quando estamos procurando alguma coisa perdida dentro de casa. Adianta procurar novamente na mesma gaveta que você acabou de olhar?

Mesmos caminhos levam a mesmos lugares. E se você quer novos destinos, não adianta seguir por caminhos já trilhados.

Pode acreditar!

O que realmente importa

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Quando acontece algo diferente do usual, fico pensando no que realmente importa.

Não precisa ser algo grave ou extremamente sério para que eu faça isso. Basta um simples fato que fuja do habitual e pronto. Quando meu foco não vai automaticamente pra lá, eu tento voltar a atenção para o que realmente tem importância para mim, para a minha vida e para as pessoas que eu amo.

(Colocada assim, parece uma coisa chata, de alguém que pára e fica analisando tudo o que acontece o tempo todo, não é? rs… Fala a verdade… rs)

Pois bem, como consequência disso, aprendi que perdemos muito sofrendo dores que sequer existirão.

Acontece com todo mundo.

No fundo, porque temos uma certa obsessão por não falhar.

Ainda que essas dores possam não estar ligadas diretamente a nós, como causa, o simples fato de não podermos fazer nada para evitá-las, já nos joga uma carga de responsabilidade.

Como se estivesse em nossas mãos o poder supremo de evitar todas as dores.

Lembro de um livro que eu li logo que entrei na faculdade, chamado Complexo de Clark Kent. De maneira geral, trata daquilo que é comum a todo jornalista, logo que sai da faculdade, de querer salvar o mundo. Acreditando ter esse mesmo poder supremo que eu falei acima.

A vida me mostra que todo mundo tem um certo complexo de Clark Kent.

E essa pretensão faz com que percamos o foco daquilo que realmente importa.

As coisas simples e tão fundamentais da vida.

O sorriso da criança. As pessoas que ama reunidas. O cachorro fazendo festa no quintal. Ter alguém que te ame de verdade.

A celebração das ‘alegrias bobas’.

Todo o resto é secundário.

Como sal e açucar

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Há quem pense que sexo só com amor. E que vivencie o sexo somente dessa forma. (Opinião nunca compartilhada entre os homens, diga-se de passagem. Mas a conversa aqui, pra fugir do lugar-comum, não vai ser: homens são assim, mulheres são assado. Ok?)

Partindo do ponto que é possível fazer sexo sem amor e que é possível amar sem sexo, pra mim, amor e sexo são coisas distintas que podem estar juntas. E que quando estão juntas, podem ser complementares.

(Repare bem: O ‘podem’ no trecho anterior é de importância fundamental!)

Como sal e açucar.

Há quem prefira doce. Há quem prefira salgado. Há quem goste da mistura.

E para algumas receitas realmente funcionarem, é preciso dos dois juntos.

Não há uma fórmula matemática e a discussão é longa.

O que existe é o seu jeito de lidar com a sua afetividade e com a sua sexualidade.

Se consegue lidar bem com isso, separando-os de forma distinta, ótimo.
Se consegue lidar bem com isso, misturando-os de forma homogênea, ótimo.
Se consegue lidar bem com isso, usando uma razão qualquer entre os dois, que só funciona com você, ótimo.

O importante é saber lidar bem com isso! Para não transformar esse assunto em tabu.

Porque poucas coisas empacam mais uma coisa na vida da gente do que transformar um assunto em tabu.

Um dilema complicado

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Entre as pouquíssimas coisas que me deixa sem ação na vida, está uma situação muito comum quando você está se relacionando com alguém.

Aconteceu alguma coisa que não te deixou satisfeito – em maior ou menor grau – e isso te incomodou de alguma forma. Um incômodo daqueles que ‘precisam’ ser colocados pra fora.

Aí está o dilema. Falando o que te incomoda, vai soar como reclamação ou como cobrança. Duas coisas de conotação negativa e que trazem sempre um peso – pouquíssimo útil – para a conversa e para a relação.

Então você decide não falar. E não falando, você mata a autenticidade, a franqueza da relação.

Se fala, o resultado é pior. Se não fala, também. rs

Há quem pense que deve-se optar pelo que fizer ‘menor mal’. Há quem pensa que deve-se deixar pra lá, porque relacionar-se também é relevar algumas coisas.

Como eu disse antes, eu fico diante de um dilema e nunca sei como agir. Porque se eu escolho falar, prolixo que sou, acabo me tornando maçante, além da questão da cobrança e de reclamação que eu falei acima. E se eu decido não falar, eu não tenho capacidade de não deixar transparecer quando algo me incomoda na relação.

Complicado, não? rs

Será que vale a pena?

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Todo mundo tem o direito de achar o que quiser. De tirar conclusões precipitadas. De mesmo sem toda a informação necessária, sem conhecer bem a pessoa, os fatos ou as particularidades, emitir sentenças como se fossem verdades inquestionáveis.

Mas será que vale a pena?

Será que vale mais a pena emitir uma opinião leviana, pelo simples fato de ter algo a dizer naquele momento ou calar-se e deixar que os outros cometam esse erro?

Ninguém tem todos os dias impecáveis, como se fossem de um conto de fadas. Todo mundo tem seus dias cinzas, marrons, opacos. Será que vale a pena julgar alguém pensando se tratar de uma característica pessoal, aquilo que pode ser apenas reflexo de um desses dias cinzas  - que sabemos que todos nós temos?

Tenho aprendido que vale mais a pena conhecer a história do que ficar tentando chutar o que aconteceu. Porque lá na frente, a maior riqueza que teremos conquistado não estará acumulada em nossos bolsos, no cofre ou no banco…

Acho que já deu pra entender.

Um muito obrigado especial

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Eu não gostaria de saber o dia em que eu ‘vou embora’. Nunca me agradou a idéia de um ‘fim anunciado’ para algo tão cheio de significados.

Eu só queria ter tempo para agradecer algumas pessoas.

Tá, você pode me dizer para eu fazer isso em vida e eu te respondo que eu frequentemente faço (sou a pessoa que mais fala ‘muito obrigado’ entre as pessoas que eu conheço).

Só que ditos assim, eles ficam perdidos no vazio. Não apenas porque ficaria um ‘muito obrigado’ inacabado…

Mas também porque somente um ‘muito obrigado’ dito no final teria o peso que ele deve ter. Porque ele seria completo, receberia a atenção que merece. E ficaria guardado para sempre, como a última lembrança.

51%

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A maior dificuldade que as pessoas têm para resolver qualquer coisa interna que precisa ser resolvida é a percepção real do que está acontecendo.

Eu já disse aqui no blog que estar perto demais faz você não ver direito a coisa toda. E poucos conseguem o ‘auto-distanciamento’ para ver com clareza.

Perceber o que acontece com você com exatidão é 51% da solução do problema.

Não há nada a fazer, se você não sabe o que está acontecendo. Você pode até tentar uma coisa ou outra – e existe uma chance em mil de dar certo. Mas somente a partir dessa percepção é possível resolver de fato a questão.

Um papo com alguém próximo pode ajudar.
Um papo com um psicólogo certamente vai ajudar.

Palavra de quem já passou por todas essas etapas…

A culpa

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A culpa é um dos piores vilões que eu tenho notícia.

Primeiro, porque a culpa pode matar. Carregar uma culpa bem doída no peito definitivamente acaba com a vida de uma pessoa. Mas não é só por isso.

Culpa tem sido um dos pontos de maior discordância no relacionamentos entre as pessoas.

Porque a maioria das pessoas entende que só teve culpa de algo se causou um dano voluntariamente. Não percebe que ainda que não tenha tido o ‘propósito de lesar’ (expressão usada pelo Aurélio), mesmo assim é culpa.

E não assumir uma culpa causa uma dor no outro de mesma intensidade que carregar uma no próprio peito.

Uma falha no projeto “Dele”

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Nada tem mais poder transformador na vida de uma pessoa do que ela se ver numa situação iminente de morte e conseguir sair. Quase morrer por algum problema de saúde, escapar de um acidente trágico ou de um ato de violência urbana, por exemplo.

Teoricamente, é fácil compreender. Escapar da iminência da morte traz a imagem ‘do que seria’… De ver-se privado da vida e de todas as maravilhas que te cercam e que numa situação normal você não percebe. E isso é realmente algo bem “chacoalador”.

Mas agora, pensa na prática… Faz pouco sentido, não faz?

São os momentos irremediavelmente felizes que deveriam ter esse efeito em você.

Só que infelizmente, não é assim. Há sempre alguém que vem te dizer o contrário, tentando argumentar que ‘com ela funciona assim, sim…’. Balela pura! Puro discurso para aceitação social.

Passar por um grande trauma, uma grande dor, um grande medo inequivocadamente leva às mudanças mais significativas.

Uma clara e manifesta falha do ‘Projeto Homem’. Na minha opinião.

O tempero

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Você já comeu filé de vários tipos pela vida. Sabe o que torna o filé do Seu Inácio mais inesquecível do que os outros? É o mesmo elemento que torna o caldo de feijão da Dona Wandira diferenciado em relação aos demais: o tempero.

Eu já disse aqui uma porção de vezes que é o detalhe que faz a diferença. Mas não custa repetir.

Num futuro próximo, você vai se lembrar mais do parafuso que apertou ao lado do seu avô, quando você era criança e ele queria precocemente te ensinar uma profissão do que do botão high-tech do painel do seu último carro.

Vai se lembrar perfeitamente do gosto do molho do macarrão da sua mãe muito mais do que daquele prato requintado do restaurante todo frufru que você foi recentemente.

Vai se lembrar do sorriso do seu primeiro namorado da época da escola muito mais do que o nome de alguém que trabalha no setor ao seu lado.

Mas não basta somente estar atento aos detalhes. É preciso entender que há um valor intrínseco em cada pequena coisa.

E que esse valor é que tempera a vida.

Agora leia o primeiro parágrafo de novo…

“Esquecer é uma necessidade”

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Lembrar e esquecer é uma dualidade muito presente em mim. Quando olho pro meu passado, eu lembro de coisas absolutamente sem importância alguma, como o número de telefone da casa que eu morava quando era criança, por exemplo, mas esqueço algumas coisas fundamentais, como lembranças riquíssimas que amigos contam e a sensação que eu tenho é que eu não estava lá, tão grande o esquecimento.

É algo significativo, claro. Mas nunca fui a fundo na raiz nisso.

Hoje me deparei com uma frase de Machado de Assis que diz assim: “Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”

Não sei se consigo concordar com a frase de uma forma irrestrita. Mas fuçando na mala da minha experiência de vida, percebo que em alguns momentos específicos da vida, não resta outra alternativa.

Eu não sei se esquecer é apenas deixar de lembrar ou fingir que nunca aconteceu – que são parecidos, mas levemente diferentes.

O que eu sei é que mesmo a contra-gosto, para um saudoso como eu, o mundo cada dia mais dá provas e provas disso.

Hora de apagar casos escritos e escrever uma nova história. Em vários âmbitos da minha vida. Desvencilhar de âncoras. Deixar de usar escudos para ‘justificar’ falhas. Parar de lamentar pelas oportunidades perdidas ou pela sorte não dada.

O que foi, foi.

E o que será, será.

E eu sei que será!

Um outro tipo de refluxo

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Por anos eu me vi as voltas com Refluxo Gastroesofágico. E posso afirmar com todas as letras, a você que não sabe o que é, que é muito ruim. Algo que você ingeriu fica voltando, causando um tremendo incômodo e uma sensação de queimação. Um horror.

A dificuldade no tratamento do refluxo gastroesofágico é que ele pode ser causado por uma série de fatores, embora esteja intimamente ligado a algumas coisas que você ingere.

Porém, há um outro tipo de refluxo, que também causa muito mal, mas é mais fácil de tratar por ser causado por um único fator: o ’diálogo engolido’.

O diálogo engolido causa um desconforto tremendo. Aquilo que você ingeriu fica toda hora voltando a cabeça e, em algumas situações, chega a bater na garganta. Causa uma sensação de queimação diferente, mas igualmente incômoda.

Altera até a sua imaginação e por vezes você se vê falando uma série de coisas necessárias a alguém. E enquanto essas alucinações não viram realidade, você não fica livre desse refluxo.

Essa é a única forma de tratamento.

A força das cismas

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Você está super feliz com a pessoa que está ao seu lado. Tem grande afinidade, um bom humor constante, ótimos momentos e aquele tesão louco. Tudo o que você sempre pediu a Deus.

Até que um dia, sabe-se lá porque, você começa a dar espaço para que as neuras se estabeleçam. E de uma ‘maneira mágica’, tudo que você enxerga leva a crer que sua neura é a mais pura verdade.

Ele/ela não te atendeu na primeira vez que você ligou. Ele/ela esqueceu de comentar uma coisa que você acabou ficando sabendo numa conversa com amigos em comum. Ele/ela está mais calado(a) do que fica habitualmente. E, pela primeira vez, ele/ela não agradeceu como de costume uma atitude super carinhosa sua.

Pronto. A cisma se estabeleceu e está feito o estrago.

O que importa se ele/ela estava no banheiro quando você ligou? Que ele/ela realmente esqueceu de comentar uma coisa, porque acabaram falando de uma outra coisa mais importante no telefonema e perdeu o sentido contar aquilo? Que ele/ela está mais calado(a) porque estava justamente pensando no que iriam fazer no próximo feriado? E que ele/ela não te agradeceu de imediato por estar distraído(a) com um problema que o(a) atingiu no trabalho pouco antes de chegar em casa?

Não importa. Quando você dá espaço para esse tipo de pensamento, você não consegue perceber outra coisa que não seja uma atitude que venha a confirmar esse mal.

Claro que em algumas poucas vezes, suas cismas podem estar certas.

Mas é importante que você saiba que exatamente como acontece do lado negativo – como foi descrito acima – também acontece do lado positivo.

E que é só você quem pode inverter esse sinal (de positivo ou negativo) dos seus pensamentos.

O medo da morte

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Tenho medo da morte. Mas não da minha. Tenho medo da morte das pessoas que eu amo.

E esse medo da morte surgiu quando as pessoas que eu amo deixaram de ser imortais. Ou seja, na primeira morte próxima realmente sentida.

Soa estranho afirmar que é a própria morte – e não a vida – que me faz temer a morte. Mas é isso que acontece comigo.

Não deu pra entender? Eu explico:

Na minha cabeça, faria mais sentido que todas as felicidades que eu desfruto na vida é que me fariam temer a morte (entendendo a morte como o cessamento dessas felicidades).

Mas não é assim que funciona, pelo menos comigo.

A primeira perda realmente sentida traz mais do que a privação do convívio com a pessoa que se foi. Ela traz a idéia de que todos morrem.

E você precisa ter a cabeça bastante no lugar para conviver com isso, com o passar dos anos.

Eu ainda estou longe de aprender. Mas tenho tentado…