Dizem que falar de amor é brega. Ainda mais se for em português.
Já tinha reparado nisso? Uma frase de amor, em português, quase sempre é tida como brega. Em inglês, quase nunca.
Não que eu seja um daqueles que enaltece o inglês gratuitamente. Longe de mim! Mas é impressionante como gostamos de letras de músicas em inglês que, se fossem traduzidas, soariam como hits do Placa Luminosa, no máximo.
Só tem uma coisa que eu invejo, na língua inglesa, no que diz respeito a esse assunto: o ‘i love you’.
O ‘i love you’ ainda carrega uma certa especialidade que o ‘eu te amo’ perdeu.
O ‘eu te amo’ foi banalizado! Tem ‘eu te amo’ pro cachorro, pro computador, pra um sapato liiiindo. rs. E não sei se por esse motivo, um ‘eu te amo’ falado numa relação perdeu expressão. Soa como um “então tá, tchau”, na maioria das vezes.
Tenho dúvida se o meu problema é em relação a essa banalização em si ou ao fato de que não temos, na nossa língua, uma instância superior ao ‘eu te amo’.
Provavelmente o segundo.
Porque certas situações pedem algo maior do que o ‘eu te amo’. E por mais que você possa falar através de um beijo, um abraço apertado e um ‘olhar dentro dos olhos’, esse termo me faz falta.
Muita falta…
10 Comentários
3 coisas:
1) Concordo com vc: certas letras de amor em Inglês são lindas. E em Português ficariam realmente “sofríveis”.
2)Não acho que o “I love you” seja utilizado de modo diferente do “eu te amo”. Já reparou que pra tudo e todos eles falam “I love you”? Na verdade “luv U” ou just “Luv”. Isso eu acho triste…rs
3)Também penso que o “eu te amo” fica pequeno pra expressar a especificidade de um sentimento. Ainda mais quando, por exemplo, uma possível distância não permite complementar com um beijo, um abraço e os “olhos nos olhos”. Talvez por não existir uma forma de expressar certos sentimentos é que exista a arte nas suas mais variadas formas. Pelo menos na minha opinião…
Bjo!
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 6th, 2010 9:43 am
Pri, sobre o 2)… De certa forma, o ‘i love you’ é usado de uma maneira parecida com o que é usado aqui. Mas também, de certa forma, o ‘i love you’ quando dito em algumas ocasiões, tem uma especialidade que o ‘eu te amo’ já perdeu. Em números, é como se o ‘eu te amo’ tivesse perdido 87% do seu impacto e o ‘i love you’ apenas 72%… rsrsrsrs… E estou falando desses 15%, entendeu? rsrsrsrs… (Pareceu brincadeira, mas é sério… rs). Sobre o 3)… concordo com você. Só não sei se a arte supre essa carência… Beijo!!!
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Jack, eu não sei. Eu concordo com você que as letras de música em inglês parecem menos brega que eu português. Mas daí a dizer que o “eu te amo” ficou banalizado acho que é um exagero.
Acho que o “eu te amo” fica banalizado quando a relação também está banalizada. Quando eu te amo ou eu te odeio dá no mesmo. E voltamos àquele seu post sobre indiferença.
Quando a indiferença é mais forte que a relação, então “eu te amo” ou nada é a mesma coisa.
Mas eu continuo acreditando firme no “eu te amo”. Digo isso um monte de vezes, para um monte de gente (e para meus cães também, só para constar). Mas com sinceridade. E olhos nos olhos, que para mim é essencial.
Beijão!
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 6th, 2010 9:52 am
Cecília, entendo o ponto que colocou sobre o perfil da relação. Mas na verdade, penso que a banalização do ‘eu te amo’ é um fator a parte. No ponto que eu quis expressar, nada tem a ver com ‘como está a relação’. Na verdade, nada tem a ver com nada. É sobre o uso injustificado e gratuito do ‘eu te amo’, que faz com que quando ele ‘precise’ ser usado, ele não tenha toda a força que ele poderia ter. Pelo menos, eu vejo assim.. rs.. Beijo!!!
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Entendi o que quis dizer, mas discordo sobre o “Eu te Amo”. Assim como o “ai que saudade” que é usado de várias formas, mas quando é naquela situação especial, não há palavra mais gostosa de se ouvir. Acho que para mim, na verdade, não faz tanta diferença porque percebo muito mais as ações do que as palavras. A-d-o-r-o ouvir ‘Eu te Amo’, lógico; mas gosto muito mais de perceber pequenos detalhes e ações que deixam claro que aquela pessoa é mesmo tão especial.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 6th, 2010 10:00 am
Sensacional você ter falado nisso, Ivana, porque eu tava pensando nisso desde que escrevi e só não coloquei esse ponto no texto, porque ficaria grande demais… rsrs… Acho que ver acontecer essas ações que falou é sem dúvida algo fundamental. E mais: perceber essas ações pelo outro, não pela gente. Temos mania de mensurar o amor do outro pela nossa escala de ações. E isso é um erro. Cada age pela sua própria escala. Também amo ouvir ‘eu te amo’ e sinto falta de escutar. Minha inspiração para esse texto foi me lembrar de algumas situações vividas em que eu eu precisava dizer algo maior que o ‘eu te amo’ e só ter essa necessidade porque o ‘eu te amo’ estava “gasto”. Acho que é isso! rs… Beijo!!!
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Resposta de Ivana Rosa:
fevereiro 6th, 2010 12:58 pm
Não sei se é a famosa frase “gato escaldado…”, mas hoje em dia sou muito mais atenta as ações. Ouvir palavras e frases bonitas é muito gostoso, mas não ver esse sentimento na prática é bem triste
entonses…rs… Também sinto falta de ouvir Eu te Amo ou declarações de amor, a carÊncia muitas vezes impera rs…Mas, quando as frases não aparecem se propagando pelo ar naturalmente eu procuro vê-las por outro prisma. O que comentou sobre mensurar o amor do outro pela nossa escala é uma grande verdade e é uma tarefa difícil mudar essa visão! Mas não impossível!
beijo!
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 7th, 2010 12:36 pm
Eu sempre procuro ver pelas ações e, dessa forma, acabo sentindo mais o carinho que a pessoa tem por mim. Mas a falta / necessidade de algo maior que eu ‘eu te amo’ vai me perseguir pra sempre, eu acho… rs… Beijo!!!
Creio que são as duas coisas: a banalização e a ausência de uma instância superior.
Porém, tornam-se superiores duas aplicações: uma é o termo dito dentro do contexto correto, para o qual a gente supõe que fora criado. Outra é dizer e demonstrar, fazer valer o que se diz. Essas são as instâncias superiores, já que o termo foi, concordo, banalizado.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 6th, 2010 10:01 am
Mais uma vez, assino embaixo sem tirar uma única vírgula. Beijo!!!
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“Falar e dizer coisas que não podem ser ditas… É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.” Clarice Lispector
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 6th, 2010 10:02 am
Lindo, hein? Não conhecia. Lindo mesmo!!!
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Jack, eu falo amo essa música, amo isso ou aquilo… Mas quando eu falo pra alguém “eu te amo”, já que não existe “frase maior” (fazer o quê?), eu falo com uma conotação absolutamente diferente, não é como “então tá, tchau”… Não falo isso pra quase ninguém, e quando eu falo é absolutamente de coração e tenho certeza de que eu transmito isso. Talvez se existisse uma frase “maior”, ela também teria caído na banalização, e outra e outra… Acho que o “eu te amo” ou “I love you”, está ligado às atitudes que você tem com a pessoa pra quem você diz isso.
Um beijo, gosto muito de você… rs
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 8th, 2010 11:49 am
É, pode ser… Mas ainda assim sinto falta de um termo maior, que não tivesse sido banalizado… rs… Beijo!
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Oi Jack!
Então, eu penso um pouco ao contrário… Eu acho que o “I love you” não tem a mesma especialidade que o nosso “eu te amo” tem. E acho que a grande diferença disso pode estar na cultura, pois eu acredito (ainda!) que na nossa cultura isso é dito quando é mesmo sentido dentro do coração.
Agora os gringos falam isso o tempo todo, para todo mundo (até para alguém q acabaram de conhecer) e para qualquer coisa!!! Isso sim é banalização de uma palavra tão especial…
Ah, tem uma coisa que faço com a minha irmã!! Quando ela faz alguma “cagada” na vida dela e vem chorando, eu sempre acaba falando umas verdades para ela e ela me diz “eu te amo” e como estou com raiva no momento eu respondo “I love you”… pq naquele momento de raiva e decepção eu não consigo responder à ela de maneira sincera que amo ela! Daí eu uso o termo em inglês, bem banalizado e que ela acha muito chique…kkkk
Beijos!!!
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 8th, 2010 3:24 pm
Jackie, legal ter você novamente por aqui! Eu pensei muito no que escrevi a argumentei nos comentários e cheguei a conclusão que essa minha opinião baseia-se no valor que o primeiro “i love you” FALADO tem numa relação. Posso estar equivocado, mas sempre percebi o ‘i love you’ (nessa circunstância que eu citei acima) dessa forma: Com mais especialidade! Mas ninguém melhor do que você, que mora aí pra cima faz tempo, pra falar algo a respeito… rsrs… Agora essa sua com a sua irmã é muito engraçada!!! rsrsrs… Beijo!!!
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Resposta de Jacqueline:
fevereiro 8th, 2010 5:38 pm
Jack,
Sabe de uma coisa, eu acho que vc esta carente!!!! We love you… kkk
Beijos.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 12:06 pm
rsrsrs…. Jackie, mas eu já assumi isso AQUI… rsrs… Beijo!!!!
Concordo com algumas coisas do seu texto. Acho realmente que o “eu te amo” está banalizado, mas também acho que um “eu te amo, muito” dito no momento certo, olhos nos olhos, consegue chegar perto de uns 99% do que queremos transmitir.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 12:10 pm
Sabe o que eu acho que pega, Anderson? Que quando eu digo “eu te amo”, significa que eu sinto amor pela pessoa. Mas na verdade, o que eu sinto, às vezes, é maior……… E é aí que a coisa complica…
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Fiquei aqui pensando…
Usar palavras ou expressões para definir sentimentos é, na maior parte das vezes, limitá-los, racionalizá-los.
Palavra é objetiva, sentimento é subjetivo.
Palavra necessita de contexto para ser compreendida. Sentimento não necessariamente.
Palavra é empregada com entonação. E sentimento possui graduações.
Quando uma pessoa diz que está com saudade, vc jamais saberá a intensidade da saudade que ela está sentindo. Quando uma pessoa fala de amor, você não apreende totalmente, pois cada um tem seu jeito de amar.
Por isso eu acho menos importante o “resumo do sentimento” através de palavras ou expressões, mas a vivência deles, como muitas pessoas já disseram aqui.
Quando temos que explicar sentimentos através de palavras sempre será insatisfatório. A não ser que você esteja disposto a esmiuçar a relação. E tenha em mente que não há como graduar a intensidade do sentimento alheio.
A verdade é que é bom ouvir que somos amados. E às vezes dá uma vontade enorme de expressar isso também. Mas quando isso acontece reciprocamente, o instante mágico acontece. Ainda que não hajam palavras pra expressar, nem olhos nos olhos, nem a chance de um abraço. Já viveu isso? É mágico!
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 10th, 2010 2:04 pm
Nem sempre, Pri. Um sentimento sem contexto, às vezes, pode ser interpretado como uma coisa sem sentido. Ou como uma fuga. Quando na verdade, ele pode ser o oposto de tudo isso… E a palavra só tem entonação quando é falada. Não esqueça da palavra na internet… rs… Eu procuro sempre tentar transmitir meus sentimentos de maneira verbal. E sempre tento passar a intensidade que eu estou sentindo. Porque por mais que a vivência é super importante, penso que o verbal faz falta. Claro que as ações dizem muito, mas verbalizar é uma coisa necessária. Nem todo mundo gosta ou sente-se a vontade para dizer que ama alguém ou que está morrendo de saudade. Mas não há uma única pessoa que não goste de ouvir isso. E sobre o que pergunta no final do seu comentário, já vivi isso sim. Pena que foi uma coisa unilateral…
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Quando falei em entonação, me referi à palavra falada, claro. As palavras escritas precisam de desenvolvimento. Vai ver que é por isso que eu escrevo demais… rs
Que bom que vc tenta transmitir para as pessoas a intensidade do que vc sente. Eu acho fundamental. Mas a complexidade do sentimento, continuo insistindo, não pode ser expressa por uma palavra ou expressão – por causa da nossa subjetividade e das graduações possíveis de intensidade dentro de um mesmo sentimento. Por isso a conversa, as vivências e comportamentos não verbais complementam.
Lamento pela experiência que eu descrevi ter sido unilateral na sua vivência… É muito chato viver algo assim sozinho.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 10th, 2010 3:09 pm
Estava pensando aqui, e acredito que eu só fico na mão quando quero dizer algo maior do que “eu te amo” e não consigo. Fora isso, me saio bem com as palavras e elas comigo… rsrsrsrs… Beijo!
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