Há algum tempo, havia um único telefone em cada casa. Havia uma única televisão e um único computador. E se você atentar para os apartamentos mais antigos, encontrará vários apartamentos de até 4 quartos com uma vaga de garagem. É, era comum ter apenas um carro em cada casa.
Hoje tudo está diferente e – infelizmente – o individualismo está em alta.
Cada pessoa tem o seu telefone pessoal. Uma televisão em cada quarto. Cada um tem o seu computador. E não é difícil encontrar um apartamento onde vivem 4 pessoas, com 4 carros.
Você pode ter lido as linhas acima e pensado em progresso.
Eu não. Eu penso em perda do coletivo. Em falta de contato humano.
Antes você ligava para um amigo e o pai dele atendia. Você conversava (ainda que pouco) com o pai dele. Havia uma forma de contato cordial, por mais breve que fosse.
A mesma coisa para assistir tv. Todos compartilhavam alguns momentos juntos e alguns assuntos, nem que fossem na ‘hora do intervalo’.
Havia uma espécie de combinação / negociação para uso do computador e do carro, que acabava por ensinar (indiretamente) o real significado de uma palavra muito importante: ‘conviver’.
Conviver é um verbo que está a caminho da extinção.
Essa valorização exagerada do individualismo (repare que estou falando de individualismo e não de individualidade, coisas muito diferentes!) está deixando todos nós mais solitários.
E o pior é que além de tristes, essa solidão imposta nos torna ‘menos’.
Perdemos força. Perdemos alegria.
Perdemos, acima de tudo, a contribuição transformativa fundamental que uma pessoa que nos ama pode dar.
Que pena…
9 Comentários
Tem uma luz no fim do túnel! To no período de adaptação da Lala na escola e isso praticamente se resume em conviver. Ou melhor, aprender a conviver. E isso acaba nos ensinando o mesmo.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 8th, 2010 5:20 pm
Irmão, não deixe nenhuma oportunidade de ‘convívio rico’ passar por você. Eu estou com isso na cabeça para esse ano. Convívio é uma coisa fundamental pra todo mundo… Beijo!!!
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Muito oportuno você tocar nesse assunto. Isso é uma coisa que comento frequentemente com pessoas próximas. Infelizmente caminhamos para um cenário parecido com o do filme Wall-E, onde cada ser humano vive numa prancha flutuante olhando para uma telinha e nem faz idéia de quem está ao seu lado. E mais uma vez caímos naquela conversa de que cabe a nós mudarmos isso. Realmente acho que é isso. Eu tento passar ao meu filho o quanto o convívio e contato com as pessoas é importante. Espero cumprir minha missão.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 12:10 pm
Cara, te dou a maior força nesse seu empenho com o seu filho….
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Concordo em tudo, infelizmente. Já há alguns anos eu penso da mesma forma. E percebo que as pessoas mais novas estão cada vez mais “preparadas”, porém cada vez mais desprovidas do senso de coletividade e de união. Ums situação simples, como assitir televisão em conjunto, estimula o ato de ceder e de apreciar. Quando eu era criança, se eu queria ver Homem Aranha e meu irmão queria assistir ao 007, ficava empatado. Um dos dois teria que ceder. Mesmo assim, logo que havia o intervalo, mudava-se para o outro canal o mais rápido possível, para que a perda daquele que “cedeu” fosse a menor possível. O mesmo vale para quem viveu a situação de ter só um carro em casa (ou nenhum). Se, para alguma situação, você irá ficar com o carro, você fará questão de levar aquele que ficou sem carro, mesmo que isso custe muitos minutos a menos na sua programação (ou a cara emburrada de namorada). E o telefone, hem? Quantas empatias e amizades eram previamente iniciadas por telefone, pelas poucas, mas gentis palavras trocadas com quem atendeu? Algumas vezes, ao ligar para a casa de meus amigos, confundi a voz do pai (que atendeu) com a voz do próprio, e isso gerou situações inicialmente cômicas, mas que todos guardamos como ótimas recordações. E aquela sensação incrível de querer ligar para a gatinha, cujo telefone você vitoriosamente obteve, e precisar “enfrentar” a fera que fosse atender, seja lá pai, mãe, irmão, etc… Hoje, a comodidade e a facilidade de agradar a todos os gostos propicia esse individualismo, ao ponto de eu conhecer casais que dormem em quartos separados, e talvez por isso eles vivam tão bem. Mas até que ponto isso é bom? No futuro, não quero que meu filho me dê boa noite pelo MSN, que viva em seu mundo, que não compartilhe comigo suas aventuras, expectativas e medos. Pelo contrário: vou querer viver a vida dele, junto com ele. E não simplesmente ser um expectador distante, pois é nisso que essa ‘separação’ nos transforma.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 12:14 pm
Absolutamente perfeito. Muito obrigado por acrescentar tanto a esse tema… Beijo!
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Concordo totalmente…
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 12:15 pm
… Obrigado!
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Olá Jack,
O conceito de individualismo não é tão moderno assim,não é, já que remonta ao período renascentista: o homem como centro do Universo.
E de lá prá cá, a gente ainda pode falar de como outros conceitos relacionados ao individualismo evoluiram: singularidade, autonomia, independencia e distinção, entre as pessoas.
Isso tudo prá dizer que a questão é mais cultural e ideológica que motivada por características individuais, como o seu texto expressa: ” a valorização exagerada do individualismo”.
Assistiu Amor Sem Escalas? O personagem de George Clooney tem a meta de acumular 10 milhões de milhas para ter um tratamento vip para o resto da sua vida. Ele é um sujeito contido e até cínico diante das reações imprevisíveis das pessoas (seu trabalho é o de demitir pessoas). Suas relações afetivas baseiam-se em relações casuais entre as escalas aéreas.
Bom, eu não vou contar o filme…rs. Mas ele também pensou na perda do coletivo e na falta do contato humano, como você.
Beijos.
Carla
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 12:22 pm
Cá, você já havia me ensinado que esse não é um conceito novo, mas é sempre muito bom ser lembrado disso, dessa forma tão clara como a que você se expressa. Ainda assim acho que há uma valorização excessiva do individualismo, posto que as coisas que inflam esse individualismo são sempre colocadas como ‘progressos’: possuir um carro só seu, um telefone só seu, um computador só seu, uma casa que você viva sozinha… E não como algo que relacione essas coisas com ‘perdas’. Esse é um típico exemplo de ‘ganhar para perder’. Ainda não assisti ao filme e estou com muita vontade de ver. E, obviamente em tom de brincadeira, foi a primeira vez que alguém comparou, de alguma forma, o Clooney a mim. ADOREI!!!!! rsrsrsrs… Me senti “o” cara…. hahahahahahahahahaha… Um beijo especial!!!
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Resposta de Carla:
fevereiro 9th, 2010 12:58 pm
Parece que eu não me expresso tão bem assim…(rs).
Eu quis dizer que a valorização do individualismo é uma questão cultural e ideológica. E que isso é muito forte. Mais do que as características individuais de cada um. De certa forma isso está expresso no seu texto quando disse que essa valorização exagerada do individualismo está deixando todos nós mais solitários.
E como isso gira em torno do ter, não é? Prover nossos desejos, comprar, consumir, consumir, consumir…
Lembrei de um livro: Sem Logo – A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido, de Naomi Klein que mostra bem a estratégia das empresas de vender sonhos, conceitos, glamour, estilos de vida além dos produtos.
Beijos.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 3:50 pm
Nessa constante queda de braço entre o ter e o ser, quem perde é sempre a gente… rsrs… Não conheço esse livro, mas fiquei tentado a conhecer… rs… Beijos!!!
Resposta de Carla:
fevereiro 9th, 2010 2:24 pm
Ah…a próxima comparação será entre você e Jude Law, tá legal?
Beijos.
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 3:55 pm
Sério? rsrs… Eu não sabia que eu estava com essa bola toda não!!! rsrsrs… Em qual filme? Beijos……………………
Jack, às vezes, lendo seus textos, eu chego à conclusão de que eu vivo mesmo em um mundo de fantasia, todo meu (eu sei, isso é comum em gente esquizofrênica feito eu, hahahaha!).
Mas é que, embora eu até consiga entender o seu ponto de vista, e consiga concordar em grande parte com ele, não vejo que isso se aplica a mim, ou às pessoas ao meu redor.
Veja: meus primos moram longe da minha casa (ainda que em SP mesmo), mas a gente se fala todos os dias. Por email, por SMS, ou Twitter. Às vezes, até pelo celular. Falo com minhas cunhadas todos os dias. E só por causa dessas invenções maravilhosas. Fazemos altas conferências familiares no MSN. Quase diariamente.E meus pais e tios também participam dessa “farra”. Realmente, antigamente a gente tinha um carro, um telefone… Mas também nos víamos menos, nos falávamos menos (pelo menos na minha família).
Acho que não posso chamar isso de “convivência”, mas certamente é muito mais contato. Não sei. Será que é só no meu mundo de faz-de-conta?
Beijo!
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 12:26 pm
Bom, eu não sei responder se é um mundo de faz de conta ou não. O que eu posso dizer, talvez em um tom romântico-ultrapassado demais, é que eu, que gosto tanto de contato humano (e eu estou me referindo a pele com pele!), acho triste que fiquemos felizes por termos contato com pessoas importantes pra nós por telefone, sms, msn, twitter… Entendeu meu ponto? Beijo!!!
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Resposta de Cecília:
fevereiro 9th, 2010 1:03 pm
Sim, Jack, claro que entendi, e acho que nesse sentido, você tem toda razão. Mas eu também acho que meu mundinho é totalmente atípico. Minha família (pai-mãe-filhos) janta junto todos os dias. Assistimos TV juntos (e brigamos por que programa vamos assistir. Cada um tem seu carro, mas geralmente nos apertamos (5 adultos em um carro só não é moleza…) em 1 carro só. E revezamos a direção. A família (grande núcleo – tios, tias, primos, etc) sempre se reúne a cada aniversário, e em datas comemorativas, como natal, ano novo, entrada da primavera… Nós temos o “Encontro Mensal dos Primos”. Então, posso afirmar que essas “coisinhas” tecnológicas vieram para nos ajudar. Eu não sinto falta desse contato de pele. Mas agora a gente se fala ainda mais. O dia todo. Mas acho que é mesmo uma situação atípica mesmo. Eu vejo as pessoas se afastando, e não consigo entender. Assim como não entendo televisão no quarto. Nunca tive, não tenho até hoje. E em casa, temos só 1 tv, até hoje. E ninguém sente falta.
Eu sempre fui criada com esse negócio de contato humano mesmo. Eu não sei viver sem isso. Valorizo prá caramba essas modernidades. Afinal, uma das minhas primas mora em Brasília. E justamente por causa disso, estamos sempre em contato (o último encontro dos primos ela só foi virtualmente, hehehehe).
e faço questão de falar cara a cara com meus amigos, conhecer suas famílias. Eu sou “das antigas”. Eu gosto de conhecer o amigo, a mãe, o pai. Ainda chamo as pessoas mais velhas de tio, tia. E senhor, senhora.
Sei lá, Jack, como sempre, acho que estou na contramão. Eu só fico torcendo para nunca ter um caminhão na mão certa, hehehehe!
Beijão!
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 3:52 pm
Legal saber que vocês ainda mantém os costumes que citou… É muito bacana ter isso fazendo parte da nossa vida. Beijo!!!
Eu gosto de gente, de contato, de falar e falar…..rss morreria nesse individualismo…..rsss quero isso pra mim nao……quero é rir, chorar , falar, decepcionar, mas sempre rodeada de gente….gente querida e amada.
beijos.
Você é simplesmente D+
Déia
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 3:54 pm
Muito obrigado, mais uma vez, por encher a minha bola assim, Déia… rsrsrsrs… E eu sou como você… Beijo!!!!
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O individualismo é um termo que se opõe ao “viver e conviver em sociedade”, “compartilhar”, “reunir-se com outras pessoas para um fim comum”.
Portanto, uma pessoa que seja criada numa “filosofia” individualista pode ser que desenvolva alguns problemas de adaptação. Fica muito complicado viver de maneira isolada, evitando conexões profundas com outros seres humanos. Porque é do convívio social que vem nossas melhores chances de aprendizado, sem dúvida. É no convívio que nos tornamos pessoas mais apropriadas de nós mesmos e podemos levar nossa contribuição ao mundo.
Individualismo, na minha opinião, adquire um tom levemente pejorativo quando penso que a minha concepção de ser humano envolve o conceito de “um ser social”.
Mas eu não vou negar que quando a minha individualidade é ameaçada de alguma forma, eu respondo com alguns comportamentos individualistas. Dessa maneira eu me preservo e posso escolher que tipo de convívio eu desejo para mim mesma.
Porque o “convívio pelo convívio” já não funciona mais na fase de vida em que estou. São escolhas…
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 9th, 2010 4:58 pm
Pri, essa coisa do ‘um ser social’ é tão rica, mas tão rica que nem um livro inteiro encerraria o assunto. E eu adoro discorrer a respeito! E também acho muito rica essa proximidade dos termos ‘individualismo’ e ‘individualidade’, embora com significados tão diferentes…
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A casa em que eu cresci (e onde ainda moram meus pais) tem 3 quartos. Eu podia ter ficado num e minha irma no outro, mas meus pais nos colocaram no mesmo quarto e acabou. Em uma época, qdo brigávamos muito, quisemos fazer a divisão de quartos, mas meus pais vetaram.
Disseram que tínhamos que aprender a conviver e lidar com nossos conflitos!
E foi a melhor coisa que fizeram. Eu e minha irmã somos adultas e não moramos juntos há 6 anos, mas somos muito amigas e unidas e sempre lembro com carinho da época em que dividíamos o quarto!
A mesma coisa em relação a tv: meus paois tinham condições de colocar tv no nosso quarto, mas nunca fizeram isso!
A tv ficava na sala e ponto final!
E quer saber?? Era muito divertido!!!
Nós 4 víamos juntos o JN, depois a novela e conversávamos sobre ambos não só no intervalo, mas ao longo da programação. E isso gerava assuntos polêmicos, o que promovia discussões saudáveis!!!
Não sei se isso influenciou, mas sou muito próxima e amiga dos meus pais!
Hoje tem tv no meu quarto, mas tanto eu qto meu marido raríssimas vezes ligamos. Nos acostumamos a ver na sala e já decidimos que nosso filho tb não terá tv no quarto!
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Resposta de Jack Bianchi:
fevereiro 10th, 2010 1:10 pm
Compartilho com você, dessa coisa de usar o mesmo quarto que meu irmão por boa parte da vida… E acho que foi super importante. Menos numa época em que éramos pequenos e o maledeto cismava de tocar bateria dentro do quarto… rsrsrsrs… Também vivi a mesma situação sobre a tv, na minha casa… Mas isso rolou mais quando eu era pequeno… Legal saber que temos essas partes tão semelhantes… Beijo!!!
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